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domingo, 27 de dezembro de 2009

Ao som de "Bound for infinity"

Posto aqui um poema que fiz ouvindo "Bound for infinity", Cd Prologue, do grupo Renaissance. Convido a quem queira ler o poema, a ouvir junto a canção, clicando no vídeo abaixo, para refazer o processo de criação. Agradeço e remeto ao YOUTUBE, de onde copiei a execução (clique aqui).


video

Ao som de “Bound for infinity”

Eliane F.C.Lima

(Ler, devagar, do início da voz feminina)

Abrem-se as águas do verde
e os vários verdes vão-se misturando.
Abrem-se as almas do verde.
E as várias almas vão-se misturando.
O caminho é longo.
Há um túnel em espiral horizontal
e as águas vão-se abrindo, girantes.
Penetro e penetro e penetro.
Misturam-se as águas do verde.
E as almas vão-se espiralando.
E nadando e voando nesse céu de águas.
E o túnel é contínuo.
Penetro na garganta do mar,
que me engole,
a girar no compasso do som.

(Pausar. Reiniciar apenas no refrão, lendo mais rapidamente)

E o verde é o somente,
o sempre desejável verde,
no vazio e no cheio da instável alma do mar.
O contínuo de ir me leva à paz,
que tem o gosto do odor do verde.
Paraíso liquefeito,
me acaricia por inteiro.

O amor é verde,
o carinho é verde,
verde tom, verde tontura, verde bom,
verde boca, verdes olhos, verdes pernas
que vão.
Túnel contínuo e longo,
que não acaba, mas cabe
no verde da invasão.

(Seguir a beleza da voz feminina até o final).

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Viagem

Eliane F.C.Lima

Vaguear.
Pelo inverso,
veneno.

Viés.
Ao invés,
via.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A estrada

Eliane F.C.Lima

Sigo esquecendo quem me esqueceu,
que da vida o que eu queria eram as lembranças.
São sombras vagas, vagas as pegadas,
apenas marcas que já não se acham.
Pego a taça, que está vazia,
aspiro o fundo, cheiro esquecido.
Só uma manchinha de afetos idos,
abandonada como última gota.
Até a taça – estará rachada? –
está largada sobre a pedra fria.
Onde andarão os amigos, companheiros,
aqueles que comigo sempre iam,
os que me davam a mão, me afagavam,
na verdade, os que sempre me queriam?
Ando lembrando quem me esqueceu,
embora não vislumbre um rosto firme,
sombras de sombras, vultos enlutados.
Em algum lugar, a festa segue,
as vozes riem, as mãos se entrelaçam.
Em algum lugar, a dança voa,
as conversas se rompem e se retomam.
Em algum lugar, pessoas amam,
se odeiam, se divertem ou se casam.
Em algum lugar... será passado?