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domingo, 5 de fevereiro de 2012

Para

Eliane F.C.Lima (Registrado no Escritório de Direitos Autorais - RJ)

Dentro de um útero-terra,
se esconde um feto-semente:
perdido em oco e negro,
achado em verde porvir.
Seu silêncio e segredo
guardam uma revelação:
o que romperá um ventre,
o que surgirá no entre.
Dentro da terra-barriga,
um ovo só, sua intriga,
fabula, fértil, um enredo.
Futuro tempo descerra
o que hoje é velação.
Surpresa? Quem lê a terra,
exegese de um crente:
ainda há de intuir
um vegetar conto-ação.

Espero sua visita, também, em Conto-gotas (aqui) e
Literatura em vida 2 (aqui).

4 comentários:

Mara faturi disse...

Este teu espaço é fértil;))
Que bom te ler novamente!
Grande bjo!

Fernanda disse...

Dentro de ti um vulcão de palavras.

Beijo

Fernanda disse...

Amiga Eliane.

Obrigada pela sua visita.

Suponho ser este o poema a que se refere e pede identificação.
A mesma esta lá, sempre o faço.


Só a rajada de vento
dá o som lírico
às pás do moinho.

Somente as coisas tocadas
pelo amor das outras
têm voz.

Fiama Hasse Pais Brandão

Beijinho

Fernanda disse...

fiama hasse pais brandão



biografia:

Nasceu em 1938, em Lisboa. Poetisa, dramaturga, ficcionista e ensaísta.
Viveu numa quinta em Carcavelos até aos 18 anos, tendo então mudado para Lisboa, de onde saiu em 1992 para voltar a viver numa quinta.
Foi aluna do Colégio Inglês de Carcavelos - St. Julian's School - durante dez anos e frequentou o curso de Filologia Germânica, até ao 3º ano, na Universidade de Lisboa. Exerceu crítica de teatro, acompanhou o trabalho do Grupo de Teatro da Faculdade de Letras, estagiou em 1964 no Teatro Experimental do Porto, frequentou um seminário de Teatro de Adolfo Gutkin na Gulbenkian em 1970. Em 1974, foi um dos fundadores do Grupo "Teatro Hoje", sendo a sua primeira encenadora com Marina Pineda, de Lorca.
Tem feito pesquisa histórica e literária sobre o séc.XVI em Portugal.
Tem feito traduções do Alemão, do Inglês e do Francês, de autores como John Updike, Bertold Brecht, Antonin Artaud, Novalis, Anton Tchekov e do Cântico Maior, atribuido a Salomão.
Revelada, como Gastão Cruz, no movimento Poesia 61, que revolucionou a linguagem poética portuguesa dos anos 60, Fiama veio a demonstrar ser uma das principais vozes poéticas da sua geração. A sua obra caracteriza-se por uma grande densidade da palavra, o uso de uma poesia discursiva, por vezes fragmentária, de grande rigor e depuramento formal, desde Barcas Novas (1967), seu segundo livro, sempre entrelaçando no discurso a metáfora e a imagem. Com a publicação de Obra Breve (1991), Fiama procede a uma reorganização de toda a sua obra poética até à data, incluindo inéditos, de acordo com uma ideia de poesia como processo vivo.
Como dramaturga, é autora de várias peças, algumas das quais já representadas em Lisboa, Rio de Janeiro e Nancy.



obra literária



do mar
do amor IV
do espaço-tempo?
do outono II
tradução colectiva
da figura das coisas
deste outono
da fala
quarto interior
de uma rua citadina
da porta de um pobre paraíso
da voz das coisas
da ferida
dançam; dançam
dos pinhais
madressilvas e tílias
a outra casa de Hölderlin, no silêncio
depois de traduzir Helène Dorion


Mais um beijinho.