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domingo, 22 de agosto de 2010

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Eliane F.C.Lima

Asas abertas, plana alto o anjo,
Busca, agudos olhos, o seu deus.
Luz solitária, vento amigo e brando,
sobre as nuvens – pássaro sem os seus?

Enormes asas, boi, montanha, lago,
pequena sombra erra pelo chão.
Achará, hoje, um dia, assim voando,
a quem procura, um rumo torto e vago?

Asas intensas, agora, entre as estrelas,
até a lua, baixa à rua, à várzea nua,
perscruta, atento, a cada vão desvão,
se vê imagens, voa, ali, ao vê-las.

Abertas asas, fugiu ao paraíso?
Não estava lá aquilo a que buscava?
Um par sem mancha, aberto, voa alto,
a face calma, mesmo sem sorriso.

E, finalmente, asas em sobressalto,
uma pessoa, abaixo, segue dura.
Desfeito todo em ternura e gratidão,
enxerga nela o criador a criatura.

Faço crítica literária em Literatura em vida 2 (link) e posto meus contos em Conto-gotas (link).

9 comentários:

Carmem teresa disse...

Ao enlace entre o mundano e o sagrado caminham o homem, o criador e seus guardiãos...Adorei seu texto.

Ster Loureiro disse...

Obrigada pelas palavras de incentivo poetisa!

Tenho tido uma fase atribulada, mas os percalços na estrada na vida, são fundamentais, em face da nossa jornada evolutiva.
De fato, o desanimo é uma falta. Tenho batalhado para que este momento seja passageiro.

Fico feliz, por você ser apaixonada pela palavra escrita. Eu, igualmente, não sei viver sem "escrever sentimentos".

Um beijo, de poetisa para poetisa.

Até!

Sonia Pallone disse...

Lindo querida, que as sementes de poesia plantadas por você, preencham sua estrada de flores e perfumes... Bjs.

Eloah Borda disse...

Obrigada, Eliane, por tua visita, comentário e o belo poema. Ando um pouco afastada do mundo virtual por problemas de saúde, mas sempre que possível, reapareço. A propósito, aqui vai um poema mais ou menos "vivo"...

Poeta no Cardiologista

Meu coração, doutor, não sei por que,
anda, faz tempo já, descompassado
- ora dispara qual potro indomado,
ora parece até querer parar...

Eu sei, doutor, que ele, emocionalmente,
instável sempre foi, rebelde, inquieto,
mas o que sinto agora é diferente,
e não é um mal de amor, tenho certeza
- males de amor eu muito bem conheço
e já com eles sei como lidar.

Por isso o estou deixando aos seus cuidados,
para que o possa então examinar,
buscando as causas deste desconforto,
e uma maneira de o minimizar,
porque tal descompasso já me inquieta.

Mas lhe peço, doutor, tenha cuidado
com este tão forte-frágil coração
(mesmo que não consiga compreendê-lo,
em toda a sua subjetividade)
trate-o com paciência, com desvelo,
pois não é só uma bomba muscular
a impulsionar o sangue por meu corpo
- ele é um sensível coração de poeta,
fonte de amor, de sonho e inspiração...

(Eloah Borda)

Beijos.
Eloah

ju rigoni disse...

Quase toda procura tem qualquer coisa de divino, e acaba levando a um encontro. Nem sempre daquilo que se busca, mas, certamente, tão
importante quanto... Ou mais!...

"Enormes asas, boi, montanha, lago,
pequena sombra erra pelo chão.
Achará, hoje, um dia, assim voando,
a quem procura, um rumo torto e vago?"

Poema de imagens belíssimas, Eliane. Bjs e inté!

Lórah Claus disse...

Olá
quando minha amiga Graça comentou sobre sue blog não pude resistir em vir aqui prestigiar, e ocmc erteza a Graça não mentiu em nada
seu blog realmente é maravilhoso

parabéns

Fernanda disse...

Eliane!

Posso chamar de amiga???!!!

Acabei a leitura do seu poema com um sorriso largo, causado pelo enorme prazer que me foi dado.

O poema é dos mais belos que já alguma vez li...
Maravilhoso!

Publico semanalmente poesia, não minha, infelizmente não sou poeta!
O meu Blog principal é o Na Casa do Rau. Aí eu publico pelo menos um triplo post semanal.
Uma poesia - sempre de Maria José Areal, minha amiga querida e quase prima... que muito admiro. Gostava que a lesse e a avaliasse.
Ela, por sua vez, pode vir a fazer o mesmo consigo.
Nesse 3 em 1, encontrará algo meu, e actualmente algo de ou sobre José Saramago.

Voltarei mesmo! Pode contar comigo.
Virei fã.

Beijinhos
Ná - Na casa do Rau

Fernanda disse...

Amiga Eliane!

Voltei agora de um concerto lindo, ao vivo, que amei e me encheu a alma....está a transbordar :))))

Obrigada pelo seu comentário lá no Rau, minha casa mesmo! Moro na Rua do Rau, nº 6, numa vila idílica, bem a Norte de Portugal, chamada de Vila Nova de Cerveira, vila D'Artes.

A Maria José é casada com um primo do meu primo, casado com a minha directa...deu para entender :))))
Até a mim dá nó :)))
Para além disso, fomos ambas full-time professoras e na mesma escola.
Agora, ela já reformada por tempo de serviço, não idade (somos ambas de 1951), dá aulas na Universidade Sénior.
Na Universidade eu também dou Inglês, e faço mais umas coisas em casa (traduções e resumos para teses, basicamente isso).
Dou ainda aulas de Português a estrangeiros.

Como vês eu a Maria José somos "unha com carne" e ela é simplesmente fabulosa com as palavras.
Grande poetisa!
Ainda bem que também gostou.

Mais uma pequena coisa. A minha obra prima chama-se Pedro, tem 31 anos e vive em Herissau, Suíça.
A luz dos meus olhos, meu filho lindo, está também longe... mas só no espaço.
Ele vive no meu coração e o enche completamente.
Maior amor não há!

Acho que seremos boas amigas, por tudo o que temos em comum!

Boa noite.
Deixo beijo terno,

Márcia Vilarinho disse...

Eu acredito em anjos...Profundo teu poemar. Bjs.