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domingo, 8 de maio de 2011

O seio

Eliane F.C.Lima (Registrado no Escritório de Direitos Autorais)

Poema dedicado à minha mãe, um pouco antes de sua morte.

Hoje preciso de mãe mais do que nunca,
me enrolar em seus braços e tremer de medo.
Porque tenho medo mais do que nunca,
eu que nunca temi coisa nenhuma.
A maior solidão é a de não ter colo de mãe,
refúgio inexpugnável.
Naquele rosto frágil e delirante reconheço tudo:
a demência, o pavor, o escuro da insensatez.
De quem é esse rosto, minha mãe?
Não o seu, não o seu.
Onde o refúgio, onde o colo,
onde o seu olhar nesses olhos enlouquecidos,
nessa face envelhecida e tristonha,
nessa respiração arquejante,
nessas palavras vacilantes e sem nexo?
Onde a mãe?
Mãe é forte, é consolo, é abrigo.
Hoje sou eu que preciso ser forte
e onde a força?
Hoje sou eu que devo proteger
e onde o colo,
eu que choro fraca e amedrontada, recém-nascida sem alívio [de seio?
Ser sua mãe?
Em mim só cabe a pequenez de filha.

4 comentários:

ju rigoni disse...

Muita emoção ao ler seu belo e angustiado poema, Eliane! Você sabe, estou vivendo um momento difícil com mamãe, em que sou eu a sua única chance de colo. Eu, logo eu... De repente, em meio à mata fechada, abre-se uma clareira... E meus olhos não se acostumam à luz que penetra através dela...

Bjs, amiga. E inté!

MIRZE disse...

Eliane, fui mãe de minha mãe e de meu severo pai.

Agora pude ler o texto e sentir em suas palavras o que senti e não disse.

A luta é tamanha que chega uma hora absurda de desejarmos o fim. Desejarmos o fim de quem tanto nos deu?

Li sob forte emoção, mas aliviou um coração

Beijos.

Paz!

Mirze

Tais Luso disse...

Poxa... Lindo, triste, carente; imensamente sofrido ter lido esse poema, Eliane! Quem já perdeu sua mãe, seu abrigo, sua força, sua referência, entende muito do que você disse. Não só entendi como senti. Ah...saudades dela.

Amiga... a vida é esta: meio madrasta, meio mãe.
Beijos
Tais Luso

Guidinha Pinto disse...

Só para lhe dizer olá. Li e gostei muito. Ainda tenho mãe, mas quase senti o que é não ter.
Tenho sorte por a ter perto de mim :).
Beijo