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sábado, 24 de julho de 2010

Toca

Eliane F.C.Lima

Bicho escondido na toca,
um olho negro no escuro,
a ilha é seu próprio corpo,
sem porto e sem farol.
Um mundo, cores que passam,
vozes, riso, movimento.
Cá dentro – som de lamento? –
silêncio é negridão.
Um aberto e negro olho,
espreita o mundo lá fora.
A porta não é saída,
a porta não é entrada.
Bicho escondido na toca,
um olho negro não chora.
E nada há que se faça,
nenhuma via é estrada,
nenhuma cobiça do sol,
fútil e inútil porta,
cobiça é da vida morta,
vida e alma que lá vão.

3 comentários:

Carmem Teresa disse...

Todo homem é um prisioneiro de si mesmo... nasce e morre na solidão íntima do Ser...Para romper esse silêncio inerente... talvez algumas palavras ...alguma poesia...que vença a solidão da alma alheia....
Poema intimista que não se fecha em si.Ao contrário, abre-nos ao encontro da compreensão do outro...

ju rigoni disse...

Que poema, Eliane! Profundo, certeiro. Entoquei-me nos últimos versos que muito me tocaram.

"E nada há que se faça,
nenhuma via é estrada,
nenhuma cobiça do sol,
fútil e inútil porta,
cobiça é da vida morta,
vida e alma que lá vão."

Bjs, amiga. E inté!

Salete Maria disse...

Todos nós somos meio "bicho na toca" de vez em quando...
Amei seu poema carregado de sensibilidade!
Aproveito o ensejo para informar que tem novidade no Cordelirando, passa lá!
Abraços!