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sábado, 12 de setembro de 2009

Natureza

Eliane F.C.Lima

E assim é o mamoeiro que cresce:
não tem moral, nem ética, nem caridade.
Seu único compromisso é a vida,
é subir, é furar o ar, é molhar-se de chuva.
Silencioso e verde, escolhe o melhor.
Alonga-se para os lados,
preguiçosamente,
abrindo braços e mãos.
E parte para o céu
- guarda-sol natural -,
buscando o azul.
Não agradece à terra,
não divide com companheiros,
não saúda aves.
Permanece ontologicamente bom,
por estar vivo e só.


Este poema foi escrito em Praia Linda, bairro de São Pedro da Aldeia, Região dos Lagos, Rio de Janeiro, meu paraíso, onde escondo, egoisticamente, minha felicidade. Numa certa época, plantei ali mamoeiros. Observava-os, a cada vez que ia ali. Não colhi quase mamão nenhum, mas, para me compensar, me proporcionaram uma lição profunda de natureza, não só no sentido ecológico, tão na moda, mas no que lhe dá a filosofia, segundo o Aurélio: "Essência".






2 comentários:

Maria disse...

Eliane,
Adorei os poemas, garanto a voce que me identifiquei bastante com o seu mamoeiro, muito singelo mesmo. um beijo, Fatima Bessa

Tereza Maria disse...

Que bom seria se nós também pudessémos estar satisfeitos apenas por estarmos vivos e sós....Mas a natureza é mais sábia do que o homem... Vim conhecer seus primeiros textos publicados e gostei bastante de seu modo de observar o mundo ...Bom domingo.