Eliane F.C.Lima
Hoje,
em minha mesa,
serve-se a saudade...
Cercada de bons vinhos,
um manjar branco e antigo,
suas arcaicas ameixas,
à sobremesa.
Em meu prato de porcelana,
herdado e fino,
degusto o passado,
um copo de lágrimas, de permeio.
(Registrado no Escritório de Direitos Autorais - RJ)
Convido o visitante deste blogue a ir a Conto-gotas (por aqui), onde há um novo conto meu e a Literatura em vida 2 (o caminho é esse).
Estou ainda em:
1. Debates Culturais, onde passo, agora a publicar alguns artigos, bastando um clique, na lista "Colunistas", à direita, em Eliane Lima (link).
2. Recanto das Letras (aqui).
3. Portal Literal (aqui).
4. Alma de Poeta (aqui).
domingo, 19 de dezembro de 2010
domingo, 5 de dezembro de 2010
Ciclo
Eliane F.C.Lima
Desde as cavernas,
as águas rolam
e os raios, estilhaços no céu.
Aquele ser, aberta a boca e os olhos,
treme de medo,
desde as cavernas.
Senhor dos animais,
das plantas, rios e lagos.
Dos raios explodidos,
das águas inundadas,
terremotos e furacões,
dos prédios desabados,
tremerá de medo,
oculto de novo,
em suas cavernas.
(Registrado no Escritório de Direitos Autorais - RJ)
Convido o visitante deste blogue a ir a Conto-gotas (por aqui), onde há um novo conto meu e a Literatura em vida 2 (o caminho é esse).
Estou ainda em:
1. Debates Culturais, onde passo, agora a publicar alguns artigos, bastando um clique, na lista "Colunistas", à direita, em Eliane Lima (link). 2. Recanto das Letras (aqui).
3. Portal Literal (aqui).
Desde as cavernas,
as águas rolam
e os raios, estilhaços no céu.
Aquele ser, aberta a boca e os olhos,
treme de medo,
desde as cavernas.
Senhor dos animais,
das plantas, rios e lagos.
Dos raios explodidos,
das águas inundadas,
terremotos e furacões,
dos prédios desabados,
tremerá de medo,
oculto de novo,
em suas cavernas.
(Registrado no Escritório de Direitos Autorais - RJ)
Convido o visitante deste blogue a ir a Conto-gotas (por aqui), onde há um novo conto meu e a Literatura em vida 2 (o caminho é esse).
Estou ainda em:
1. Debates Culturais, onde passo, agora a publicar alguns artigos, bastando um clique, na lista "Colunistas", à direita, em Eliane Lima (link). 2. Recanto das Letras (aqui).
3. Portal Literal (aqui).
domingo, 28 de novembro de 2010
Intriga
Eliane F.C.Lima
Mangueiras. Comadres:
boatos secretos,
suas folhas pontudas,
murmurinhas ao vento.
Sussurram de mim
suas vozes de chuva?
Disfarces, olhares oblíquos,
malícias, maldades?
As mangueiras, comadas,
seu verde, verdugo,
vergasta a verdade:
um grande segredo
rumoram ao vento.
Mangueiras. Comadres:
boatos secretos,
suas folhas pontudas,
murmurinhas ao vento.
Sussurram de mim
suas vozes de chuva?
Disfarces, olhares oblíquos,
malícias, maldades?
As mangueiras, comadas,
seu verde, verdugo,
vergasta a verdade:
um grande segredo
rumoram ao vento.
(Registrado no Escritório de Direitos Autorais,
como todos os textos)
como todos os textos)
Convido o visitante deste blogue a ir a Conto-gotas (por aqui), onde há um novo conto meu e a Literatura em vida 2 (o caminho é esse).
Estou ainda em:
1. Debates Culturais, onde passo, agora a publicar alguns artigos, bastando um clique, na lista "Colunistas", à direita, em Eliane Lima (link). 2. Recanto das Letras (aqui).
3. Portal Literal (aqui).
Estou ainda em:
1. Debates Culturais, onde passo, agora a publicar alguns artigos, bastando um clique, na lista "Colunistas", à direita, em Eliane Lima (link). 2. Recanto das Letras (aqui).
3. Portal Literal (aqui).
domingo, 21 de novembro de 2010
Mudança II
Eliane F.C.Lima
Casa nova: limite afrouxado
para não caber meus sustos,
angústias, desilusões.
Meu corpo dilatado:
sala enorme, corredor sem fim,
varandas e quartos.
Para caber a minha alma,
vaga, que vaga,
novo espaço alargado,
casa nova, corpo antigo,
corpo antigo, casa nova,
buscando a feliz esperança,
que aqui está.
Casa nova: limite afrouxado
para não caber meus sustos,
angústias, desilusões.
Meu corpo dilatado:
sala enorme, corredor sem fim,
varandas e quartos.
Para caber a minha alma,
vaga, que vaga,
novo espaço alargado,
casa nova, corpo antigo,
corpo antigo, casa nova,
buscando a feliz esperança,
que aqui está.
Convido o visitante deste blogue a ir a Conto-gotas (por aqui), onde há um novo conto meu e a Literatura em vida 2 (o caminho é esse).
Estou ainda em Debates Culturais, onde passo, agora a publicar alguns artigos, bastando um clique, na lista "Colunistas", à direita, em Eliane Lima (link) e Recanto das Letras (aqui).
Estou ainda em Debates Culturais, onde passo, agora a publicar alguns artigos, bastando um clique, na lista "Colunistas", à direita, em Eliane Lima (link) e Recanto das Letras (aqui).
domingo, 14 de novembro de 2010
Mudança
Eliane F.C.Lima
Nova casa, nova alma,
seu ninho entre paredes.
Novos sonhos,
guardados nesses quadrados.
Nas janelas, em seus quadros,
os sonhos entram ou voam.
Minha casa, corpo ampliado
e a alma alargada nos quartos.
Nova casa, nova alma,
seu ninho entre paredes.
Novos sonhos,
guardados nesses quadrados.
Nas janelas, em seus quadros,
os sonhos entram ou voam.
Minha casa, corpo ampliado
e a alma alargada nos quartos.
Convido o visitante deste blogue a ir a Conto-gotas (por aqui), onde há um novo conto meu e a Literatura em vida 2 (o caminho é esse).
Estou ainda em Debates Culturais, onde passo, agora a publicar alguns artigos, bastando um clique, na lista "Colunistas", à direita, em Eliane Lima (link) e Recanto das Letras (aqui).
Estou ainda em Debates Culturais, onde passo, agora a publicar alguns artigos, bastando um clique, na lista "Colunistas", à direita, em Eliane Lima (link) e Recanto das Letras (aqui).
Marcadores:
Debates Culturais - Recanto das Letras
sábado, 6 de novembro de 2010
Diamante
Eliane F.C.Lima
A vida é o ourives.
Sou polida a cada dia.
Reverso de diamante,
vou perdendo o brilho.
Ontem fiquei mais fosca que antes,
hoje sou menor que ontem.
Cada vez valho menos.
A vida é o ourives.
Sou polida a cada dia.
Reverso de diamante,
vou perdendo o brilho.
Ontem fiquei mais fosca que antes,
hoje sou menor que ontem.
Cada vez valho menos.
Convido o visitante deste blogue a ir a Conto-gotas (por aqui), onde há um novo conto meu e a Literatura em vida 2 (o caminho é esse), no qual posto novo ensaio.
Estou ainda em Debates Culturais, onde passo, agora a publicar alguns artigos, bastando um clique, na lista "Colunistas", à direita, em Eliane Lima (link).
Estou ainda em Debates Culturais, onde passo, agora a publicar alguns artigos, bastando um clique, na lista "Colunistas", à direita, em Eliane Lima (link).
domingo, 24 de outubro de 2010
Afinal
Eliane F.C.Lima
O meu dragão, onde está?
Procuro pelas esquinas.
Onde foi que se perdeu?
Tem as garras afiadas,
a bocarra imunda e quente,
seus olhos verdes vidrados,
o ódio acaba na cauda.
Tudo junto, onde irá?
Apuro ouvidos e olhos,
apuro, fino, meu faro,
a minha pele esfriada,
procurando labaredas.
Aguardo seus urros loucos,
incêndios e destroçar.
Belo corpo, meio cobra,
asas negadas de anjos,
se pode, vai para o céu,
se não, rasteja no chão.
Sabe de si, sabe tudo,
esse meu dragão querido.
Hei de achá-lo, de surpresa,
hei de dar-me, sua presa.
O meu dragão, onde está?
Procuro pelas esquinas.
Onde foi que se perdeu?
Tem as garras afiadas,
a bocarra imunda e quente,
seus olhos verdes vidrados,
o ódio acaba na cauda.
Tudo junto, onde irá?
Apuro ouvidos e olhos,
apuro, fino, meu faro,
a minha pele esfriada,
procurando labaredas.
Aguardo seus urros loucos,
incêndios e destroçar.
Belo corpo, meio cobra,
asas negadas de anjos,
se pode, vai para o céu,
se não, rasteja no chão.
Sabe de si, sabe tudo,
esse meu dragão querido.
Hei de achá-lo, de surpresa,
hei de dar-me, sua presa.
Convido o visitante deste blogue a ir a Conto-gotas (por aqui), onde há um novo conto meu e a Literatura em vida 2 (o caminho é esse), no qual posto o ensaio "Essa gente raivosa." Estou ainda em Debates Culturais (link), onde passo, agora a publicar alguns artigos, bastando um clique, na lista "Colunistas", à direita, em Eliane Lima. Recomendo ainda, nesse mesmo endereço, a excelente Cintia Barreto, além de todos os outros.
Marcadores:
Debates Culturais - Eliane Lima - Cintia Barreto
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
O Haiti dentro de mim
Eliane F.C.Lima
Tive um sonho mau:
de destroços, de choro, de fome.
Eram pés deambulantes,
bocas rotas,
olhos em busca de vida.
O mundo era ali, tragado, –
resto de mundo – e ruínas.
O caos. Aí, a vida errante,
erra, vagarosamente,
com pernas bambas,
passos inseguros.
A vida buscando
sob minhas lajes,
no meio do pó desabado,
por entre vigas caídas,
um restinho de humano.
Tive um sonho mau:
de destroços, de choro, de fome.
Eram pés deambulantes,
bocas rotas,
olhos em busca de vida.
O mundo era ali, tragado, –
resto de mundo – e ruínas.
O caos. Aí, a vida errante,
erra, vagarosamente,
com pernas bambas,
passos inseguros.
A vida buscando
sob minhas lajes,
no meio do pó desabado,
por entre vigas caídas,
um restinho de humano.
domingo, 10 de outubro de 2010
O vento e o tempo
Eliane F.C.Lima
Diz Cecília que o vento,
o vento empurra o tempo,
mexe as folhas, leva areia,
revolve a alma e a vontade.
Cecília diz que o tempo,
o tempo empurra a vida,
corta a sorte, faz ferida,
apaga a felicidade.
Diz Cecília que o vento,
o vento empurra o tempo,
mexe as folhas, leva areia,
revolve a alma e a vontade.
Cecília diz que o tempo,
o tempo empurra a vida,
corta a sorte, faz ferida,
apaga a felicidade.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Retrato
Eliane F.C.Lima
Era a vida,
seu movimento:
a juventude, o sonho, a festa.
Caleidoscopio colorido,
tudo mudança.
E veio a foto,
caras muitas, sorrisos sentados,
braços e ombros, entrelaços,
alegria presa do papel.
A vida, fugaz, foi.
Velhice,
mortos quatro,
um olha a foto:
de quem são os sorrisos,
de quem a juventude,
onde a festa,
que é do sonho?
A alegria, fugaz, fugiu.
Era a vida,
seu movimento:
a juventude, o sonho, a festa.
Caleidoscopio colorido,
tudo mudança.
E veio a foto,
caras muitas, sorrisos sentados,
braços e ombros, entrelaços,
alegria presa do papel.
A vida, fugaz, foi.
Velhice,
mortos quatro,
um olha a foto:
de quem são os sorrisos,
de quem a juventude,
onde a festa,
que é do sonho?
A alegria, fugaz, fugiu.
domingo, 26 de setembro de 2010
Mágica estrada
Eliane F.C.Lima
Nasci e a vida já indo:
um roteiro pela frente,
enorme estrada de luz.
Hoje, as luzes se apagando,
aperto os olhos e ando,
agora, já devagar.
E percebo, inutilmente,
que o caminho é só voltar.
Nasci e a vida já indo:
um roteiro pela frente,
enorme estrada de luz.
Hoje, as luzes se apagando,
aperto os olhos e ando,
agora, já devagar.
E percebo, inutilmente,
que o caminho é só voltar.
domingo, 19 de setembro de 2010
Totalidade
Eliane F.C.Lima
Se me defino, eu me reduzo.
Aparo arestas, corto esquinas
e me arredondo.
Se me arredondo, eu me reduzo,
se é o círculo a perfeição.
Se sou perfeita, eu me reduzo,
tinha de um lado, tinha de outro,
o mau e o bom.
Se sou bondade, eu me reduzo.
Sou céu, sou chão,
ave altaneira, reptil cobra.
Se sou só cobra, eu me reduzo,
quero rastejo e quero voo.
Ser cobra e ave e peixe e lua,
se fico opaca e se eu luzo,
se sou a falta e sou a sobra,
faço o meu mundo para meu uso.
Se me defino, eu me reduzo.
Aparo arestas, corto esquinas
e me arredondo.
Se me arredondo, eu me reduzo,
se é o círculo a perfeição.
Se sou perfeita, eu me reduzo,
tinha de um lado, tinha de outro,
o mau e o bom.
Se sou bondade, eu me reduzo.
Sou céu, sou chão,
ave altaneira, reptil cobra.
Se sou só cobra, eu me reduzo,
quero rastejo e quero voo.
Ser cobra e ave e peixe e lua,
se fico opaca e se eu luzo,
se sou a falta e sou a sobra,
faço o meu mundo para meu uso.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Aniversário do blogue

Eliane F.C.Lima
Gesto dentro de mim uma lagarta prateada
que tormentosa não se quer dar ao mundo.
Da borboleta despreza o colorido profano.
É o sozinho seu campo de batalha,
a escuridão seus ataques contínuos,
o recuar o seu golpe fatal.
E se enrosca... e luta,
e se introverte... e lança.
(Agradeço aqui a foto lá de cima ao site "Imagens por favor." (link)
E aqui está a nova postagem, que havia sido colocada ontem, dia do aniversário, mas que transfiro para hoje, para que não fique esquecida lá atrás.
O mutante
Eliane F.C.Lima
Misturado a outros animais,
é anjo, sereia, centauro, esfinge,
cabeça humana sobre todos.
Insatisfeito, vira deus.
E expulsa a si mesmo do paraíso.
(Em 12-09-2010)
Quem gostou de meu poema está convidado a ler meu novo conto em Conto-gotas (link) e minha postagem sobre Helena Kolody em Literatura em vida 2 (link).
domingo, 5 de setembro de 2010
Das especificidades do amor
domingo, 29 de agosto de 2010
Macia seda
Eliane F.C.Lima
(Homenagem ao engenho musical de Michel F.M.)
Um anjo canta,
som masculino,
seu doce mantra.
Ainda menino,
claves de sol,
semicolcheias,
são suas teias.
Com passo leve
– a vida é breve –,
não toca harpa,
não toca sino,
só seu destino.
Dedilha cordas,
retira a farpa
que fere o ouvido
de nossa vida.
De tão menino,
de tão canoro,
me afaga o ombro,
me embala o sono,
divina lida.
(Homenagem ao engenho musical de Michel F.M.)
Um anjo canta,
som masculino,
seu doce mantra.
Ainda menino,
claves de sol,
semicolcheias,
são suas teias.
Com passo leve
– a vida é breve –,
não toca harpa,
não toca sino,
só seu destino.
Dedilha cordas,
retira a farpa
que fere o ouvido
de nossa vida.
De tão menino,
de tão canoro,
me afaga o ombro,
me embala o sono,
divina lida.
(Escrevi este poema, surpresa com o talento criativo e a voz jovial de Michel F.M., um de meus seguidores, em seu blogue ÁSPERA SEDA (convido-o a visitá-lo aqui). Sempre me deixa crente no futuro o encontro da juventude com a poesia.
domingo, 22 de agosto de 2010
Enlace
Eliane F.C.Lima
Asas abertas, plana alto o anjo,
Busca, agudos olhos, o seu deus.
Luz solitária, vento amigo e brando,
sobre as nuvens – pássaro sem os seus?
Enormes asas, boi, montanha, lago,
pequena sombra erra pelo chão.
Achará, hoje, um dia, assim voando,
a quem procura, um rumo torto e vago?
Asas intensas, agora, entre as estrelas,
até a lua, baixa à rua, à várzea nua,
perscruta, atento, a cada vão desvão,
se vê imagens, voa, ali, ao vê-las.
Abertas asas, fugiu ao paraíso?
Não estava lá aquilo a que buscava?
Um par sem mancha, aberto, voa alto,
a face calma, mesmo sem sorriso.
E, finalmente, asas em sobressalto,
uma pessoa, abaixo, segue dura.
Desfeito todo em ternura e gratidão,
enxerga nela o criador a criatura.
Asas abertas, plana alto o anjo,
Busca, agudos olhos, o seu deus.
Luz solitária, vento amigo e brando,
sobre as nuvens – pássaro sem os seus?
Enormes asas, boi, montanha, lago,
pequena sombra erra pelo chão.
Achará, hoje, um dia, assim voando,
a quem procura, um rumo torto e vago?
Asas intensas, agora, entre as estrelas,
até a lua, baixa à rua, à várzea nua,
perscruta, atento, a cada vão desvão,
se vê imagens, voa, ali, ao vê-las.
Abertas asas, fugiu ao paraíso?
Não estava lá aquilo a que buscava?
Um par sem mancha, aberto, voa alto,
a face calma, mesmo sem sorriso.
E, finalmente, asas em sobressalto,
uma pessoa, abaixo, segue dura.
Desfeito todo em ternura e gratidão,
enxerga nela o criador a criatura.
domingo, 15 de agosto de 2010
Hoy
Eliane F.C.Lima
No soy ojo,
yo soy boca.
Recibo cuando me doy.
No me quedo y miro el mundo,
miro el mundo por mis manos,
yo soy mundo en lo que soy.
Oigo el pasado, el futuro,
pero vivo, vivo hoy.
Miro el mundo por mis pies,
nos pasos en que yo voy.
Miro el mundo en tu mirada,
en tu mirada caliente,
donde veo, veo el pueblo,
donde llora nuestra gente.
Há postagens novas em meus blogues Literatura em vida 2 (aqui o caminho) e Conto-gotas (vá nessa direção).
No soy ojo,
yo soy boca.
Recibo cuando me doy.
No me quedo y miro el mundo,
miro el mundo por mis manos,
yo soy mundo en lo que soy.
Oigo el pasado, el futuro,
pero vivo, vivo hoy.
Miro el mundo por mis pies,
nos pasos en que yo voy.
Miro el mundo en tu mirada,
en tu mirada caliente,
donde veo, veo el pueblo,
donde llora nuestra gente.
Há postagens novas em meus blogues Literatura em vida 2 (aqui o caminho) e Conto-gotas (vá nessa direção).
domingo, 8 de agosto de 2010
Cor, cordis
Eliane F.C.Lima
Não guarde o coração na gaveta para deixar que ele bata mais tarde, quando você não tiver mais nada de importante para fazer;
não guarde o coração no bolso e o deixe esquecido lá, para só encontrá-lo, surpresa, quando vestir aquela velha calça incômoda;
não esqueça o coração em cima do armário que você só alcança, quando pega a pesada e insuportável escada de armar;
não perca o coração no meio dos livros que você deixou para ler não sei quando;
nenhum esforço vale o descompassado e sudorífero bater do coração vexado, surpreendido, flagrado, tartamudo, boquiaberto, trêmulo de amor.
Confira, também, meus blogues Conto-gotas (vá por aqui) e Literatura em vida 2 (o caminho é este).
Não guarde o coração na gaveta para deixar que ele bata mais tarde, quando você não tiver mais nada de importante para fazer;
não guarde o coração no bolso e o deixe esquecido lá, para só encontrá-lo, surpresa, quando vestir aquela velha calça incômoda;
não esqueça o coração em cima do armário que você só alcança, quando pega a pesada e insuportável escada de armar;
não perca o coração no meio dos livros que você deixou para ler não sei quando;
nenhum esforço vale o descompassado e sudorífero bater do coração vexado, surpreendido, flagrado, tartamudo, boquiaberto, trêmulo de amor.
Confira, também, meus blogues Conto-gotas (vá por aqui) e Literatura em vida 2 (o caminho é este).
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
O absoluto
Eliane F.C.Lima
O silêncio de olhar,
o silêncio de ouvir.
O lento movimento,
de mansinho,
um vento sorrateiro,
leve brisa,
instaurada a paz de ninho.
A calma absoluta,
a luz pouca,
olhar sem sentir medo,
sem a roupa,
que cobre o corpo,
a alma:
a armadura.
Abrir – silêncio! – a estrutura
e espionar o fora,
mansamente.
O silêncio de olhar,
o silêncio de ouvir.
O lento movimento,
de mansinho,
um vento sorrateiro,
leve brisa,
instaurada a paz de ninho.
A calma absoluta,
a luz pouca,
olhar sem sentir medo,
sem a roupa,
que cobre o corpo,
a alma:
a armadura.
Abrir – silêncio! – a estrutura
e espionar o fora,
mansamente.
sábado, 24 de julho de 2010
Toca
Eliane F.C.Lima
Bicho escondido na toca,
um olho negro no escuro,
a ilha é seu próprio corpo,
sem porto e sem farol.
Um mundo, cores que passam,
vozes, riso, movimento.
Cá dentro – som de lamento? –
silêncio é negridão.
Um aberto e negro olho,
espreita o mundo lá fora.
A porta não é saída,
a porta não é entrada.
Bicho escondido na toca,
um olho negro não chora.
E nada há que se faça,
nenhuma via é estrada,
nenhuma cobiça do sol,
fútil e inútil porta,
cobiça é da vida morta,
vida e alma que lá vão.
Bicho escondido na toca,
um olho negro no escuro,
a ilha é seu próprio corpo,
sem porto e sem farol.
Um mundo, cores que passam,
vozes, riso, movimento.
Cá dentro – som de lamento? –
silêncio é negridão.
Um aberto e negro olho,
espreita o mundo lá fora.
A porta não é saída,
a porta não é entrada.
Bicho escondido na toca,
um olho negro não chora.
E nada há que se faça,
nenhuma via é estrada,
nenhuma cobiça do sol,
fútil e inútil porta,
cobiça é da vida morta,
vida e alma que lá vão.
domingo, 18 de julho de 2010
Encontro
Eliane F.C.Lima
Miro a mulher parada,
ela virada pra fora.
Será que vê a paisagem?
Esgazear de olhos negros,
ares de enxergar o nada.
O que será que espia,
fita, investiga, espreita?
Parece esperar alguém...
um eu que de fora vem?
Encostada na esquadria,
a porta, de par em par,
seu corpo é como miragem.
As mãos, vaguidão em cada;
os pés, um já vai voar;
o rosto voltado, embora
pareça ao errante afeita.
Com que será que ela sonha:
futuro, mar, querubim?
Por ordem de deuses gregos?
Será por pura peçonha?
Ela olha para mim.
Fascinada, olho a mulher:
está nela a minha face.
E, sem qualquer mais disfarce,
é a mim que ela quer.
Miro a mulher parada,
ela virada pra fora.
Será que vê a paisagem?
Esgazear de olhos negros,
ares de enxergar o nada.
O que será que espia,
fita, investiga, espreita?
Parece esperar alguém...
um eu que de fora vem?
Encostada na esquadria,
a porta, de par em par,
seu corpo é como miragem.
As mãos, vaguidão em cada;
os pés, um já vai voar;
o rosto voltado, embora
pareça ao errante afeita.
Com que será que ela sonha:
futuro, mar, querubim?
Por ordem de deuses gregos?
Será por pura peçonha?
Ela olha para mim.
Fascinada, olho a mulher:
está nela a minha face.
E, sem qualquer mais disfarce,
é a mim que ela quer.
sábado, 10 de julho de 2010
Profanação
Eliane F.C.Lima
No pântano, úmido e escuro,
nasce uma planta verde.
Não vê, em volta, o lodo,
fixa o claro do céu.
Encanto da lama cinza,
o verde viola a vasa.
A vida de novo vibra,
raio de sol brotado.
No pântano, úmido e escuro,
nasce uma planta verde.
Não vê, em volta, o lodo,
fixa o claro do céu.
Encanto da lama cinza,
o verde viola a vasa.
A vida de novo vibra,
raio de sol brotado.
domingo, 4 de julho de 2010
Vagante
Eliane F.C.Lima
Tenho uma alma penada,
que mora dentro de mim.
Anda arrastando correntes,
caminha por quartos ermos,
enormes salas vazias,
lençóis brancos sobre móveis,
escadas em caracol,
levando a lugar nenhum.
De lá se desce voando,
levitando feito espuma.
No sótão há coisas velhas,
porão?, só há coisas mortas,
ratos e teias de aranhas,
que velam pelo silêncio,
se escondem,
se há gemido:
o desespero da alma,
fechando e abrindo portas.
Tenho uma alma penada,
que mora dentro de mim.
Anda arrastando correntes,
caminha por quartos ermos,
enormes salas vazias,
lençóis brancos sobre móveis,
escadas em caracol,
levando a lugar nenhum.
De lá se desce voando,
levitando feito espuma.
No sótão há coisas velhas,
porão?, só há coisas mortas,
ratos e teias de aranhas,
que velam pelo silêncio,
se escondem,
se há gemido:
o desespero da alma,
fechando e abrindo portas.
domingo, 27 de junho de 2010
Sacrifício em nome do amor
Eliane F.C.Lima
Romântica,
iria até as alturas
e lhe daria um céu estrelado.
Como não posso,
prática,
vou até a cozinha
e lhe dou um ovo estrelado
Romântica,
iria até as alturas
e lhe daria um céu estrelado.
Como não posso,
prática,
vou até a cozinha
e lhe dou um ovo estrelado
domingo, 20 de junho de 2010
O eterno retorno
Eliane F.C.Lima
Voltar sempre mulher,
se são dadas outras vidas.
Impossível diferente,
reconstruindo o mundo,
evitando o despedaço,
segurando sempre os cacos,
o mundo sempre explodido.
Voltar, eterna mulher,
apagando o velho mundo,
desenhando outros contornos,
outros modos, outros estares,
viver ser só fraternar.
Mulher, ser sempre mulher,
querer somente o ficar,
querer somente o querer,
cobiçar somente a vida,
juntar e unir os pedaços,
fazer do pó o inteiro.
Voltar sempre mulher,
se são dadas outras vidas.
Impossível diferente,
reconstruindo o mundo,
evitando o despedaço,
segurando sempre os cacos,
o mundo sempre explodido.
Voltar, eterna mulher,
apagando o velho mundo,
desenhando outros contornos,
outros modos, outros estares,
viver ser só fraternar.
Mulher, ser sempre mulher,
querer somente o ficar,
querer somente o querer,
cobiçar somente a vida,
juntar e unir os pedaços,
fazer do pó o inteiro.
domingo, 13 de junho de 2010
Cartão-postal

Olho aquele Pão-de-açúcar,
morro, pedra e enfado,
de bondinhos e turistas,
barcos, banhistas aos pés.
Às vezes, no meio de [nuvens,
esconde o rosto, cansado,
esquecer tanta euforia.
Saudade de tempo passado,
índios, nudez e silêncio,
trilhas de pés descalços,
rostos quietos na mata,
banhos em rios sem sal.
Olho o morro:
seu corpo finge o azul,
esconde seu verde mato,
esconder-se-ia todo,
não fosse assim gigante,
não fosse assim parado,
navio fixo no mar,
âncoras pra sempre fundas.
Fugindo na água à fora,
longe de grandes navios,
perder-se-ia nas brumas,
terras ainda não vistas,
praias jamais nadadas,
ninguém pra ver ou falar.
Mas está tão encalhado,
eternamente calado,
seu pranto salga o mar.
domingo, 6 de junho de 2010
Velha história
Eliane F.C.Lima
Havia orgulho em mim.
De mim.
Hoje sou só uma lembrança do passado.
Como as velhas avós.
Entrei para o álbum de fotografias,
daqueles que partiram
e não são lembrados,
nem com saudade.
São caras estranhas.
Os antigos, guardiães das memórias,
contam histórias sobre eles.
A que os novos não prestam atenção.
Embora ainda caminhe por aqui,
e viva por aqui,
meu rosto, já esfumaçando,
amarelece entre os defuntos retratos.
Havia orgulho em mim.
De mim.
Hoje sou só uma lembrança do passado.
Como as velhas avós.
Entrei para o álbum de fotografias,
daqueles que partiram
e não são lembrados,
nem com saudade.
São caras estranhas.
Os antigos, guardiães das memórias,
contam histórias sobre eles.
A que os novos não prestam atenção.
Embora ainda caminhe por aqui,
e viva por aqui,
meu rosto, já esfumaçando,
amarelece entre os defuntos retratos.
domingo, 30 de maio de 2010
Lavra-dor
Eliane F.C.Lima
Em mim, a única coisa que brilha
é o metal de minha marmita fria,
quando bate o raio de sol.
A única coisa que bebo
é o suor de meu rosto,
quando bate o raio de sol.
O único animal que vejo
são os chifres largados no chão,
quando bate o raio de sol.
A única árvore onde encosto
é um tridente seco,
quando bate o raio de sol.
A única coisa que falo
é “Vida, vida... “,
quando bate o raio de sol.
Mas matuto tudo,
mas espero tudo;
e todos os brilhos,
inclusive o da faca;
e todos os líquidos,
inclusive o sangue;
e todos os animais,
inclusive a cascavel;
e todas as madeiras,
inclusive a cruz;
e todas as palavras,
inclusive “Morte!”,
quando, à noite,
não bate mais o raio de sol.
Em mim, a única coisa que brilha
é o metal de minha marmita fria,
quando bate o raio de sol.
A única coisa que bebo
é o suor de meu rosto,
quando bate o raio de sol.
O único animal que vejo
são os chifres largados no chão,
quando bate o raio de sol.
A única árvore onde encosto
é um tridente seco,
quando bate o raio de sol.
A única coisa que falo
é “Vida, vida... “,
quando bate o raio de sol.
Mas matuto tudo,
mas espero tudo;
e todos os brilhos,
inclusive o da faca;
e todos os líquidos,
inclusive o sangue;
e todos os animais,
inclusive a cascavel;
e todas as madeiras,
inclusive a cruz;
e todas as palavras,
inclusive “Morte!”,
quando, à noite,
não bate mais o raio de sol.
domingo, 23 de maio de 2010
Dia de descanso
Eliane F.C.Lima
Como hoje é domingo,
como pelas beiradas o desespero,
evitando o em cheio do sofrido.
A alegria está impressa em todos os programas,
na praia, no cinema, nos churrascos.
A alegria é o espetáculo,
está clara no céu
e debaixo dos guarda-sóis.
Vibra nos pandeiros.
Não há dor aos domingos nos calendários.
Como hoje.
Como hoje é domingo,
como pelas beiradas o desespero,
evitando o em cheio do sofrido.
A alegria está impressa em todos os programas,
na praia, no cinema, nos churrascos.
A alegria é o espetáculo,
está clara no céu
e debaixo dos guarda-sóis.
Vibra nos pandeiros.
Não há dor aos domingos nos calendários.
Como hoje.
domingo, 16 de maio de 2010
De lama, mala e alma
Eliane F.C.Lima
Saio dessa lama
como um cachorro molhado
e me sacudo toda,
dissipando o sofrimento.
Pelo e alma limpa,
pego minha mala,
vou viver de novo.
Saio dessa lama
como um cachorro molhado
e me sacudo toda,
dissipando o sofrimento.
Pelo e alma limpa,
pego minha mala,
vou viver de novo.
domingo, 9 de maio de 2010
Renovação
Eliane F.C.Lima
Sapatos novos é o que se quer,
e móveis novos sempre cheiram bem,
e roupas novas dão prazer e graça.
Amigos novos venham ao meu encontro,
que desses, pelo menos, guardo ainda,
a esperança nova da amizade
Dedicado às minhas novas amigas Ju Rigoni e Renata A.S. Raposo, que mostraram o quanto meu poema era premonitório e feliz.
Sapatos novos é o que se quer,
e móveis novos sempre cheiram bem,
e roupas novas dão prazer e graça.
Amigos novos venham ao meu encontro,
que desses, pelo menos, guardo ainda,
a esperança nova da amizade
domingo, 2 de maio de 2010
Amor
Eliane F.C.Lima
Narcisa se debruça sobre o lago,
espelho verde, vítreo e cristalino.
Tudo é paz, e no silêncio de abandono,
umas folhas soltas, rumo vago,
umas sombras frias e sem tino,
por cima, uma flor boia sem dono.
Sorridente, ela já precisa
recolher negros cabelos com as mãos.
Mas surgem logo, de ouro, outros cabelos,
outros olhos como os seus tão sãos.
Se tão surpresa, vê, então, Narcisa,
louras madeixas que ela também quer,
dois rostos vivos n’água transparente,
aberto outro sorriso de mulher,
incontrolável, se apaixona de repente.
Narcisa se debruça sobre o lago,
espelho verde, vítreo e cristalino.
Tudo é paz, e no silêncio de abandono,
umas folhas soltas, rumo vago,
umas sombras frias e sem tino,
por cima, uma flor boia sem dono.
Sorridente, ela já precisa
recolher negros cabelos com as mãos.
Mas surgem logo, de ouro, outros cabelos,
outros olhos como os seus tão sãos.
Se tão surpresa, vê, então, Narcisa,
louras madeixas que ela também quer,
dois rostos vivos n’água transparente,
aberto outro sorriso de mulher,
incontrolável, se apaixona de repente.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Obra-prima
Eliane F.C.Lima
No quadro de minha janela,
a natureza pintora:
o verde de uma mangueira,
vermelhos de suas frutas,
recortes de azul do céu,
jogados atrás de tudo.
Não é natureza morta:
um vento, de improviso,
desorganiza o conjunto,
aviva as folhas paradas,
ameaça as maduras,
torna mais cara a pintura.
Um pássaro pequenino,
amarelo dentro do ninho:
pingo de tinta borrado.
No quadro de minha janela,
a natureza pintora:
o verde de uma mangueira,
vermelhos de suas frutas,
recortes de azul do céu,
jogados atrás de tudo.
Não é natureza morta:
um vento, de improviso,
desorganiza o conjunto,
aviva as folhas paradas,
ameaça as maduras,
torna mais cara a pintura.
Um pássaro pequenino,
amarelo dentro do ninho:
pingo de tinta borrado.
quinta-feira, 25 de março de 2010
Improváveis ecos urbanos
Eliane F.C.Lima
A paz é um latido ao longe:
traz recordações de não sei quê,
de não sei onde,
mas inunda a alma de saudade
do que fica no passado.
A paz é uma chuvinha elegante,
pouca, levemente fria,
que vem quando se precisa
que se vai na hora certa.
A paz é um dia de sol fraco
e uma brisa intermitente,
que refresca,
mas não dá arrepio.
A paz é um silêncio bom,
longe um som de carros pressentido,
numa estrada indefinida,
que não se vê,
que não chega aqui.
A paz é um latido ao longe:
traz recordações de não sei quê,
de não sei onde,
mas inunda a alma de saudade
do que fica no passado.
A paz é uma chuvinha elegante,
pouca, levemente fria,
que vem quando se precisa
que se vai na hora certa.
A paz é um dia de sol fraco
e uma brisa intermitente,
que refresca,
mas não dá arrepio.
A paz é um silêncio bom,
longe um som de carros pressentido,
numa estrada indefinida,
que não se vê,
que não chega aqui.
domingo, 21 de março de 2010
SALVE O DIA INTERNACIONAL DA POESIA!
Se sempre vibra em mim a poesia,
viva eu, salve ela, salve o dia!
Dia 21 de março.
viva eu, salve ela, salve o dia!
Dia 21 de março.
terça-feira, 16 de março de 2010
Um poema mais para o amor do que para o patriótico
Eliane F.C.Lima
Era uma vez um rio amarelo,
que se dividia em mil cachoeirinhas.
Às vezes, radical, pulava, em todos os tons do amarelo.
Às vezes, ainda, misturavam-se todos esses dons.
E corria loucamente, meio infernal!
Era uma vez outro rio,
que seguia manso,
e se espelhava em todos os tons do azul,
mas nunca um azul berrante,
sempre azul doce...
E corria sensatamente, meio invernal.
E, numa curva, os dois rios se encontravam:
e, era um pular amarelo-azul.
E corriam ora infernais, ora invernais.
E não se dividiam mais, num só tom, caudalosamente verde.
Era uma vez um rio amarelo,
que se dividia em mil cachoeirinhas.
Às vezes, radical, pulava, em todos os tons do amarelo.
Às vezes, ainda, misturavam-se todos esses dons.
E corria loucamente, meio infernal!
Era uma vez outro rio,
que seguia manso,
e se espelhava em todos os tons do azul,
mas nunca um azul berrante,
sempre azul doce...
E corria sensatamente, meio invernal.
E, numa curva, os dois rios se encontravam:
e, era um pular amarelo-azul.
E corriam ora infernais, ora invernais.
E não se dividiam mais, num só tom, caudalosamente verde.
domingo, 7 de março de 2010
Paisagem
Eliane F.C.Lima
Folhas de bananeiras:
pentes verdes, flexíveis,
desembaraçam o horizonte,
embolado pelo vento.
Folhas de bananeiras:
pentes verdes, flexíveis,
desembaraçam o horizonte,
embolado pelo vento.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Serenidade
Eliane F.C.Lima
Neste momento há paz.
Pode ser o mormaço
ou as roupas no varal,
sobre fios do passado.
Têm cheiro de sabão,
sem requinte de perfume.
Só mansidão e sinceridade,
tremulam sua certeza.
Pode ser o vento,
franjando folhas compridas:
balançam tais verdes vizinhos,
inconscientes bananas futuras.
Podem ser os pardais,
resguardados de gaiolas,
seu plebeísmo, liberdade garantida.
Trilam e se perseguem,
voo de alegria, rotina própria,
valor do apenas pássaro,
flor castanha que atravessa.
Este momento é a tarde,
nuvens de quadros no céu,
vagamente vagabundas.
Nada, agora, é muito ou pouco.
O simples sempre é a paz.
Neste momento há paz.
Pode ser o mormaço
ou as roupas no varal,
sobre fios do passado.
Têm cheiro de sabão,
sem requinte de perfume.
Só mansidão e sinceridade,
tremulam sua certeza.
Pode ser o vento,
franjando folhas compridas:
balançam tais verdes vizinhos,
inconscientes bananas futuras.
Podem ser os pardais,
resguardados de gaiolas,
seu plebeísmo, liberdade garantida.
Trilam e se perseguem,
voo de alegria, rotina própria,
valor do apenas pássaro,
flor castanha que atravessa.
Este momento é a tarde,
nuvens de quadros no céu,
vagamente vagabundas.
Nada, agora, é muito ou pouco.
O simples sempre é a paz.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Reflexões de aniversário
O dito
(Primeira reflexão de aniversário)
Eliane F.C.Lima
Caminhando, só olho o norte,
ninguém me peça para olhar para trás.
O que foi, foi. Passado não passa.
O passo caminha, sem medo de corte.
A vida é coisa que vai para a frente,
a vida viaja puxando a sorte,
e, boa ou má, só para com a morte.
A resposta
(Segunda reflexão de aniversário)
Eliane F.C.Lima
Nesta vida tenho caminhado
e nem a morte me há de parar,
porque sou "mar
nunca dantes navegado."
(Primeira reflexão de aniversário)
Eliane F.C.Lima
Caminhando, só olho o norte,
ninguém me peça para olhar para trás.
O que foi, foi. Passado não passa.
O passo caminha, sem medo de corte.
A vida é coisa que vai para a frente,
a vida viaja puxando a sorte,
e, boa ou má, só para com a morte.
A resposta
(Segunda reflexão de aniversário)
Eliane F.C.Lima
Nesta vida tenho caminhado
e nem a morte me há de parar,
porque sou "mar
nunca dantes navegado."
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Consolo
Eliane F.C.Lima
Aguardo o pacote da esperança
que o destino vai pousar em minha porta.
Espero que ela não esteja torta,
combalida e gasta da andança.
Se ela me chegar inteira e pura,
o corpo são, a alma sã, sorriso farto,
recebo-a nas mãos, como em um parto,
embalo em meu colo com ternura.
Se ela me vier com o rosto branco,
trêmula a mão, a fala vagarosa,
abraço a doente e, temerosa,
faço uma oração, o peito aberto e franco.
Mas, se ao abrir a tampa, o derradeiro
e trágico desfecho se abalança,
visto que a última que morre é a esperança,
choro por mim, pois já morri primeiro.
Aguardo o pacote da esperança
que o destino vai pousar em minha porta.
Espero que ela não esteja torta,
combalida e gasta da andança.
Se ela me chegar inteira e pura,
o corpo são, a alma sã, sorriso farto,
recebo-a nas mãos, como em um parto,
embalo em meu colo com ternura.
Se ela me vier com o rosto branco,
trêmula a mão, a fala vagarosa,
abraço a doente e, temerosa,
faço uma oração, o peito aberto e franco.
Mas, se ao abrir a tampa, o derradeiro
e trágico desfecho se abalança,
visto que a última que morre é a esperança,
choro por mim, pois já morri primeiro.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Autonomia
Eliane F.C.Lima
Amo urubus e pardais.
Esvoaçam sua cor monótona,
sem valores humanos.
Desprezo por faisões,
canários e rouxinóis,
gaivotas, seus voos pictóricos,
de quadros na parede.
Desdém pelo que se deixa explorar
por olhos, ouvidos e mãos,
apreendidos em gaiolas,
orquestras e pincéis,
garfos e taças de vinho.
Amo urubus, amorais,
círculos de malditos,
vagarosos e feios, fatais,
irreverentes com a estética celeste.
Pardais, insolentes e impunes,
sem medo de pessoas,
saltinhos nos muros,
desafio e incredulidade.
Pousam em todo lugar,
amarronzando os beirais.
Amo urubus e pardais.
Esvoaçam sua cor monótona,
sem valores humanos.
Desprezo por faisões,
canários e rouxinóis,
gaivotas, seus voos pictóricos,
de quadros na parede.
Desdém pelo que se deixa explorar
por olhos, ouvidos e mãos,
apreendidos em gaiolas,
orquestras e pincéis,
garfos e taças de vinho.
Amo urubus, amorais,
círculos de malditos,
vagarosos e feios, fatais,
irreverentes com a estética celeste.
Pardais, insolentes e impunes,
sem medo de pessoas,
saltinhos nos muros,
desafio e incredulidade.
Pousam em todo lugar,
amarronzando os beirais.
(25-10-2009 - Observe a data. Compare-a com a matéria sobre João C.M.Neto, em meu blogue Literatura em vida 2 - clique aqui.)
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Obesidade celeste
Eliane F.C.Lima (Registrado no Escritório de Direitos Autorais - RJ)
Tenho é inveja das nuvens,
que lá ficam,
brancas e rotundas,
quando querem,
rotundas e cinzas,
se apraz.
Tenho inveja é das nuvens,
líquidas,
que descem
e se apossam de tudo,
cada desvão.
Saciadas do rés,
poças trêmulas,
de telhados,
calhas ligeiras,
gotas pacientes,
reúnem suas partes,
em milhões,
água de dentro da rosa,
água de pé do passante,
seus rios,
sua urbanidade,
e sobem, limpas,
amigas do sol,
sua pureza imaculada,
branco novamente seu acolchoado.
Tenho é inveja das nuvens,
que lá ficam,
brancas e rotundas,
quando querem,
rotundas e cinzas,
se apraz.
Tenho inveja é das nuvens,
líquidas,
que descem
e se apossam de tudo,
cada desvão.
Saciadas do rés,
poças trêmulas,
de telhados,
calhas ligeiras,
gotas pacientes,
reúnem suas partes,
em milhões,
água de dentro da rosa,
água de pé do passante,
seus rios,
sua urbanidade,
e sobem, limpas,
amigas do sol,
sua pureza imaculada,
branco novamente seu acolchoado.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Momento
Eliane F.C.Lima
Façam silêncio enquanto o homem chora...
qualquer sussurro pode perturbá-lo.
Deixem o coração se indo embora,
saindo pelos olhos, rosto afora.
Façam silêncio enquanto o homem sofre...
fechada a agonia como em cofre.
Deixem o peito ir se dilatando,
farto de dor e palpitando cheio.
Um só gemido posto a mais no meio
pode rompê-lo, assim o estrago feito:
o sofrimento vazo pelo chão,
esfacelada a alma ao pé do leito,
mudo já e estraçalhado o coração.
Façam silêncio enquanto o homem chora...
qualquer sussurro pode perturbá-lo.
Deixem o coração se indo embora,
saindo pelos olhos, rosto afora.
Façam silêncio enquanto o homem sofre...
fechada a agonia como em cofre.
Deixem o peito ir se dilatando,
farto de dor e palpitando cheio.
Um só gemido posto a mais no meio
pode rompê-lo, assim o estrago feito:
o sofrimento vazo pelo chão,
esfacelada a alma ao pé do leito,
mudo já e estraçalhado o coração.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Colheita
Eliane F.C.Lima
Brotam as primeiras sementes,
um verde vinga na terra.
Brotam os primeiros sonhos,
um a um, cor de esperança.
Colherei sonhos maduros,
vermelhos, ocres, laranjas.
O futuro na fruteira,
disposto dentro do peito,
na boca um gosto doce,
nos olhos diversas cores,
a alma já dando flores,
goiabas, uvas, pitangas.
Brotam as primeiras sementes,
um verde vinga na terra.
Brotam os primeiros sonhos,
um a um, cor de esperança.
Colherei sonhos maduros,
vermelhos, ocres, laranjas.
O futuro na fruteira,
disposto dentro do peito,
na boca um gosto doce,
nos olhos diversas cores,
a alma já dando flores,
goiabas, uvas, pitangas.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Madrugada

Somente azul ainda escuro,
preguiça de clarear.
Somente lua e estrelas,
preguiça de apagar.
Somente barco boiando,
somente peixes e rede,
somente a leve brisa,
somente um rosa rubor,
borrado o azul do céu.
Somente o choro das ondas,
um vaivém de dormir,
um vaivém de esquecer,
preguiça de retornar.
Assinar:
Postagens (Atom)